Aprofundar mais um pouco sobre o luxo e a distinção que ele causa. Conforme citei, hoje ele faz parte do cotidiano de muitos, sendo possível encontrá-lo nos mais diversos segmentos.
Mas, o que vem exatamente a ser luxo? Segundo o Dicionário Houaiss, a definição de luxo é a maneira de viver caracterizada pela ostentação, por despesas excessivas, pela procura de comodidades caras e supérfluas, pelo gosto do fausto e desejo de ostentação. Também diz que é o caráter daquilo que é requintado, aprimorado, apurado.
Só que nem sempre o que é caro é luxo e vice-versa. O fato de ter-se o poder de compra de um objeto caríssimo não significa necessariamente luxo. Muitas vezes está associado a pequenas coisas, objetos ou comportamentos. Como exemplo, podemos citar o tempo e o lazer como um dos grandes luxos da atual sociedade fast food em que vivemos.
A transformação de um objeto, muitas vezes identificado como simples por alguns, pode transformar-se num grande sucesso, dependendo de seu uso, da maneira em que é colocado e de quem o usa. Três fatores podem determinar seu sucesso: a arbitrariedade (funciona onde muitos fracassam), a distinção (quando alguém de destaque na sociedade o usa) e a imitação (quando uma sociedade se inspira num ídolo e o copia).
Também é comum nesse segmento, associar o luxo à moda e a moda em roupas. Mas, isso é somente a ponta do iceberg. Vai além, como carros, celulares, decoração, eletrônicos, imóveis, dentre outros. Incluem-se nela as próprias marcas e que exercem forte influência na hora da compra. Um animal bordado numa camisa polo tem seu valor várias vezes ampliada, por este representar alguma grife (
Lacoste,
Polo Ralph Lauren,
Ferrari,
Abercrombie, etc).
Essa agregação de valores iniciou através de alguns estilistas que perceberem o poder da marca (
Chanel e
Dior). A primeira, percebeu que a simples referência ao seu nome vendia muito mais perfumes, o então famoso Chanel 5. Após ver esse resultado, Dior tomou o mesmo caminho, produzindo gravatas com seu nome, apesar de nunca tê-las criado.
A grande mudança ocorreu quando, essas mesmas grifes deixaram de ser empresas familiares, abastecendo a elite do planeta, e viraram nos anos 80 parte de conglomerados bilionários.
Japão e Estados Unidos foram os primeiros destinos desses conglomerados. Agora, mercados considerados periféricos, viraram o centro das atenções (inclui-se o Brasil). Quanto mais rápida for a atuação das empresas, maior será a chance de conseguir uma fatia maior nas vendas.
O atual mercado de luxo que se vê hoje é reflexo de algo que começou com
Worth,
Poiret,
Viúva Clicquot,
Breguet,
Lanvin,
Chanel,
Dior, etc. Iniciou com vários deles e depois se propagou a inúmeros estilistas, homens de negócios, objetos e marcas. Ficou atestado que as pessoas desejam sofisticação, diferenciação e mimo. Quando procuram um produto e dispõe-se a pagar por ele, esse consumidor sempre espera algo a mais. Determinadas atitudes ou ações personalizadas é que fazem a diferença dentro desse mercado.
A proximidade com o cliente está em voga. Pode ser mandando flores ou outra coisa especial, ser atendido pelo próprio dono ou enviando um simples cartão de agradecimento escrito à mão. Essas ações pontuais e o fator surpresa sempre ajudam a transformar uma marca numa grife.
Por Giancarlo Zanotto para midiamoda.com.br
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